Em rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT 2026/2027) realizada na Universidade dos Correios (UNICO), em Brasília, a direção da estatal e o governo apresentaram propostas de reajuste que geraram forte indignação entre as representações dos trabalhadores. A postura da cúpula da empresa, sob responsabilidade de Emanuel Rondon, foi classificada pelas entidades sindicais e pela FENTECT como um ataque direto a conquistas históricas da categoria.
Reajuste irrisório e arrocho nos benefícios

Para os benefícios econômicos — incluindo vale-refeição/alimentação, vale-transporte, auxílio para dependentes com deficiência, reembolso-creche/babá e gratificação de quebra de caixa —, a empresa ofereceu um reajuste de apenas 0,87%. O índice representa apenas 20% do INPC acumulado no período (4,35%), deixando a recomposição muito abaixo da inflação e corroendo o poder de compra das famílias dos trabalhadores.
Corte do "Vale Peru" e ataque à Gratificação de Férias
Além da recomposição rebaixada, a direção dos Correios formalizou propostas severas de corte de direitos:

Fim do Vale Extra: Na Cláusula 48, a empresa propõe extinguir o vale-alimentação extra (conhecido como "Vale Peru") e alterar as regras do benefício para quem vier a atuar em regime 12x36.

Fim da Gratificação de Férias: A proposta inclui a supressão total da Cláusula 75, eliminando a gratificação de férias atualmente garantida em acordo coletivo.

Alteração estrutural no Plano de Saúde
Um dos pontos de maior gravidade debatidos na mesa envolve a Cláusula 54 (Plano de Saúde). A direção propõe alterar o modelo atual, retirando dos Correios a responsabilidade e a condição de "mantenedora" da assistência médica, passando a atuar apenas na oferta pontual via contratação de operadora. Na prática, a mudança abre caminho para a transferência de custos e responsabilidades para os empregados.

O que a empresa propõe manter ?
Durante a reunião, a gestão sinalizou a manutenção de cláusulas como acompanhamento de dependentes, antecipação da gratificação natalina, pagamento de salários, adicional de periculosidade para motociclistas, regramento sobre fins de semana e situações de emergência/calamidade. Houve entendimento pontual sobre o parcelamento do adiantamento de férias para o segundo mês subsequente. No entanto, os representantes dos trabalhadores enfatizaram que manutenções pontuais não anulam a tentativa de desidratar o acordo coletivo.

Mobilização e indicativo de Greve Nacional

A representação sindical rejeitou integralmente a pauta patronal e reafirmou as reivindicações aprovadas no CONREP. Os sindicatos alertaram que o desmonte de direitos de uma categoria com centenas de milhares de trabalhadores terá desdobramentos políticos e que a responsabilidade por um eventual paralisação recairá sobre a cúpula dos Correios.
Diante do impasse, as federações e os sindicatos filiados orientaram a realização imediata de assembleias, reuniões nos locais de trabalho e plenárias em todo o país para unificar a categoria e construir uma Greve Nacional em defesa do ACT, dos salários e do plano de saúde.

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