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Trabalhador passa mal no CTP Jaguaré em São Paulo e morre horas depois.

24 de Julho de 2012 - 16:08

 Nesta segunda-feira (dia 23) pela manhã, o operador de triagem e transbordo (OTT) “Silvio”, de pouco mais de 40 anos, passou mal em seu setor, no 5° andar do Centro de Triagem Principal (CTP) Jaguaré, na zona Oeste da capital paulista.

Conforme depoimentos de trabalhadores que presenciaram o ocorrido, Sílvio Antonio de Souza, que trabalhava no CTI (Centro de Tratamento Internacional) ficou horas sem atendimento médico. Só depois de muito tempo, uma ambulância do SAMU veio buscar o trabalhador para ser levado ao Hospital da Lapa, onde, segundo representantes da ECT, não resistiu e veio a falecer.

Este é mais um caso de um trabalhador do CTP Jaguaré que passa mal no local de trabalho e ao ser levado para um hospital fora do prédio do CTP, não resiste e morre.

A direção da ECT tentou se eximir de qualquer responsabilidade, alegando que fez tudo o que podia, mas que o estado clínico do funcionário era irreversível. Ou seja: a empresa que sucateou o atendimento de saúde dos trabalhadores agora não quer assumir a responsabilidade pelas consequências desastrosas das suas atitudes.

A ECT praticamente desmontou o sistema de ambulatórios nos grandes setores de trabalho. Como se não bastasse isso, a empresa dificulta enormemente que os trabalhadores possam usar seu convênio médico, transformando um tratamento médico simples em uma verdadeira epopéia com idas e vindas para levar para cima e para baixo guias e documentos inúteis e que poderiam facilmente ser substituídos por um cartão magnético com todos os dados do trabalhador que precisa usar o convênio.

A direção da empresa transforma a vida dos trabalhadores em um inferno e dificulta ao máximo o acesso destes ao convênio médico e depois, cinicamente, diz que não é culpada de nada e que a morte de um trabalhador que passou mal e não foi atendido a tempo dentro de suas dependências não é problema seu.

É uma atitude que, além de ser qualificada como muita cara de pau, beira a conduta criminosa: omissão de socorro.

Representantes da Fentect estiveram reunidos com a direção da ECT no prédio do Jaguaré e solicitaram da empresa a formação de uma comissão de trabalhadores do setor do funcionário que faleceu, para averiguar as causas da morte e possíveis atitudes de negligência por parte dos chefes do setor.

No entanto, a morte do trabalhador é irreparável, mas a categoria deve exigir que o atendimento médico em casos de emergência fosse resolvido no próprio CTP, com a compra de uma ambulância UTI, onde o trabalhador, dependendo da sua gravidade, possa ser deslocado para um hospital imediatamente com os cuidados emergenciais necessários.

A corrente Ecetistas em Luta coloca seu departamento jurídico à disposição da família do trabalhador que faleceu para garantir que a ECT forneça todos os direitos e garantias necessárias neste momento.

Nossos sentimentos e solidariedade estão, integralmente, com a família deste companheiro falecido ontem, com a dos demais que já pereceram em condições semelhantes no passado e com os milhares de trabalhadores que sofrem na mão de uma empresa negligente, irresponsável, cuja atitude e cinismo beira a conduta criminosa de senhores de escravos que, ávidos por lucro, muitas vezes forçavam seus empregados a trabalhar até morrer.

 Coordenação nacional da corrente Ecetistas em Luta

 

Nossa Opinião:

As mudanças estruturais da ECT, principalmente a nova característica jurídica de Socidade Anônima, ajuda no sucateamento da empresa e consequentemente na privação de condições de trabalho dignas. A Assistência Médica da ECT há muito tempo vem deixando a desejar. Essa "fatalidade" poderia facilmente ser contornada caso  existisse um respeito ao trabalhador ecetista que todos os dias eleva o nome da empresa e que por ironia vem sendo escravizado aos moldes do período colonial. 

Esse momento é muito importante para garantirmos em Acordo Coletivo de Trabalho uma Assistência Médica a altura da qualidade praticada pelos trabalhadores ecetistas.

Autor: Ecetista em Luta
Fonte: CO online